Último texto sobre a LDO
Post de Rafael Sampaio
Pessoal,
Eu gostaria de escrever sobre a ingerência do governo Alckmin e trazer outros dados prontos sobre os acontecimentos. Gostaria de fazer um relato, também, como um participante das manifestações. Vou fazê-lo em breves parágrafos e acrescentar alguns parágrafos do penúltimo texto que escrevi para a Agência Carta Maior.
=======================
Acho que todos têm muito claro que a movimentação pela derrubada do veto foi para beneficiar o ensino público como um todo. Quando a Folha e o Estado lançam editoriais como os do dia 21 e 22 de setembro, afirmando que as universidades serão as únicas beneficiadas, é usar da mais rala falácia possível.
Fico admirado, não só, de como a Folha pode ser perversa. Em seu editorial (publicado aqui), eles são capazes de fornecer todas as informações sobre a luta pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (aumento de 30% para 31% e de 9,57% para 10%), mas omitirem que nossa luta não foi em benefício próprio. Foi, sim, em benefício de toda a educação.
Capazes de jogar o ensino médio contra a universidade, como se ou fôssemos mal-intencionados com relação a esta categoria, ou ignorássemos suas necessidades. E capaz, também, de atribuir os problemas à administração universitária tão-somente.
Inevitável dizer que, no editorial, eles omitiram a truculência com que os estudantes foram tratados, duas vezes, pela Polícia Militar. Me pergunto o que leva a empresa a tomar essa posição política.
De toda forma, a Folha trabalha com claros objetivos para as eleições de 2006. Definitivamente Alckmin não é o candidato a presidente preferido pela cúpula da Folha. Muito próximo dos grupos do PFL, autoritário e pouco simpático, o governador tucano faz o papel de testa-de-ferro da nata intelectual do PSDB (atualmente uma minoria). É diferente de FHC, Serra, Montoro e Aloysio Nunes (Secretário de Governo da Prefeitura). Ele é encarado como um indivíduo à direita do PSDB. Já Serra é glorificado pela Folha até em editorial.
Os movimentos sociais paulistas percebem essa fragilidade de Alckmin e a força que pode haver uma candidatura da esquerda para o governo paulista. Por isso têm enfrentado Alckmin com todas as forças, para expor a veia autoritária do governo. O MST invadiu a Secretaria Estadual de Justiça e o Incra, na esperança de ter mais famílias assentadas. Os sem-teto se mobilizam para protestar na cidade, contra a CDHU e a Secretaria de Habitação. O movimento pela educação cobra sua parte - já que a Assembléia sinaliza com chance de aumento de verbas, os estudantes lutam por ela. E são atacados pela Polícia Militar.
===============================
http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=3490&cd_editoria=012&coluna=reportagens
São Paulo - Quarta-feira (14), 19h30. Cerca de mil manifestantes, em frente à Assembléia Legislativa de São Paulo, aguardam as negociações de seus líderes com a Polícia Militar para entrar. Mais de 90 policiais bloqueiam a passagem dos estudantes e funcionários das universidades estaduais paulistas. Ao avaliar que a entrada é impossível, quinhentos estudantes decidem, em regime de assembléia, ocupar a avenida Pedro Álvares Cabral, em frente à Assembléia Legislativa. A tropa de choque os recebe, com violência e bombas de gás lacrimogêneo.
PS: Dá até pra terminar com aquela música.. "São Paulo, dia 1° de outubro de 1992. Oito horas da manhã". Pra quem conhece e sabe que o coronel Ubiratan esteve na tribuna para discutir o veto :)
Pessoal,
Eu gostaria de escrever sobre a ingerência do governo Alckmin e trazer outros dados prontos sobre os acontecimentos. Gostaria de fazer um relato, também, como um participante das manifestações. Vou fazê-lo em breves parágrafos e acrescentar alguns parágrafos do penúltimo texto que escrevi para a Agência Carta Maior.
=======================
Acho que todos têm muito claro que a movimentação pela derrubada do veto foi para beneficiar o ensino público como um todo. Quando a Folha e o Estado lançam editoriais como os do dia 21 e 22 de setembro, afirmando que as universidades serão as únicas beneficiadas, é usar da mais rala falácia possível.
Fico admirado, não só, de como a Folha pode ser perversa. Em seu editorial (publicado aqui), eles são capazes de fornecer todas as informações sobre a luta pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (aumento de 30% para 31% e de 9,57% para 10%), mas omitirem que nossa luta não foi em benefício próprio. Foi, sim, em benefício de toda a educação.
Capazes de jogar o ensino médio contra a universidade, como se ou fôssemos mal-intencionados com relação a esta categoria, ou ignorássemos suas necessidades. E capaz, também, de atribuir os problemas à administração universitária tão-somente.
Inevitável dizer que, no editorial, eles omitiram a truculência com que os estudantes foram tratados, duas vezes, pela Polícia Militar. Me pergunto o que leva a empresa a tomar essa posição política.
De toda forma, a Folha trabalha com claros objetivos para as eleições de 2006. Definitivamente Alckmin não é o candidato a presidente preferido pela cúpula da Folha. Muito próximo dos grupos do PFL, autoritário e pouco simpático, o governador tucano faz o papel de testa-de-ferro da nata intelectual do PSDB (atualmente uma minoria). É diferente de FHC, Serra, Montoro e Aloysio Nunes (Secretário de Governo da Prefeitura). Ele é encarado como um indivíduo à direita do PSDB. Já Serra é glorificado pela Folha até em editorial.
Os movimentos sociais paulistas percebem essa fragilidade de Alckmin e a força que pode haver uma candidatura da esquerda para o governo paulista. Por isso têm enfrentado Alckmin com todas as forças, para expor a veia autoritária do governo. O MST invadiu a Secretaria Estadual de Justiça e o Incra, na esperança de ter mais famílias assentadas. Os sem-teto se mobilizam para protestar na cidade, contra a CDHU e a Secretaria de Habitação. O movimento pela educação cobra sua parte - já que a Assembléia sinaliza com chance de aumento de verbas, os estudantes lutam por ela. E são atacados pela Polícia Militar.
===============================
http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=3490&cd_editoria=012&coluna=reportagens
São Paulo - Quarta-feira (14), 19h30. Cerca de mil manifestantes, em frente à Assembléia Legislativa de São Paulo, aguardam as negociações de seus líderes com a Polícia Militar para entrar. Mais de 90 policiais bloqueiam a passagem dos estudantes e funcionários das universidades estaduais paulistas. Ao avaliar que a entrada é impossível, quinhentos estudantes decidem, em regime de assembléia, ocupar a avenida Pedro Álvares Cabral, em frente à Assembléia Legislativa. A tropa de choque os recebe, com violência e bombas de gás lacrimogêneo.
PS: Dá até pra terminar com aquela música.. "São Paulo, dia 1° de outubro de 1992. Oito horas da manhã". Pra quem conhece e sabe que o coronel Ubiratan esteve na tribuna para discutir o veto :)

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home