Cristiane Capuchinho e Natália Guerreiro, do 3° ano de Jornalismo matutino (ECA-USP)
Sobre a manifestação de ontem
Boa tarde, pessoal.
Estamos enviando este texto para que todos saibam o que aconteceu ontem durante ação da polícia militar em uma manifestação das universidades estaduais paulistas e centros de ensino técnico.
Como a maioria deve saber, algumas faculdades da USP (e das outras universidades) estão paradas desde o dia 25 de agosto para lutarmos contra o veto do governador ao aumento de 1% no repasse de verba para a educação pública. A saber, os deputados haviam concedido um aumento de repasse de 9,57% para 10% para as universidades públicas e Fatecs; além de aumentar de 30% para 31% a porcentagem do ICMS que vai para a educação pública em geral. No início de agosto, o governador vetou este aumento, tirando 470 milhões de reais do ensino público.
Após diversas manifestações e negociações, conseguimos que os deputados colocassem em pauta o veto do governador (pois eles podem derrubar em votação esta decisão), mas eles não inverteram a lista de pautas, sendo assim nossa reivindicação é o item 191.
Na última terça-feira (13), houve uma reunião entre o Fórum das Seis (que reúne os presidentes das entidades das três universidades), reitores e o colégio da Assembléia Legislativa. Nesta reunião ficou decidida a efetuação de assembléias extraordinárias para a discussão do veto. As discussões podem se estender por 12h (em dias diferentes), ao final delas obrigatoriamente a Assembléia tem de votar.
Ontem (14), às 19h, aconteceu a primeira delas e os estudantes, professores e funcionários da USP, Unesp, Unicamp e Fatecs fizeram uma manifestação saindo do MASP até a Assembléia Legislativa (no Ibirapuera), onde queríamos entrar para acompanhar a sessão (direito de qualquer cidadão).
Desde o princípio, na Avenida Paulista, uma grande quantidade de policiais militares (para não dizer uma quantidade exagerada) acompanhou os cerca de 2000 manifestantes, e já durante a concentração alguns policiais nos avisaram que tinha muito mais polícia nos esperando na Assembléia. Saímos pela Avenida Paulista e descemos a Brigadeiro em passeata pacífica com o cordão da PM isolando.
Ao chegarmos ao Ibirapuera, as rampas da Assembléia estavam repletas de policiais enfileirados, dentre eles a Força Tática (grupo preparado para confrontos) para impedir nossa entrada. Como esta é uma ação ilegal, o que eles podem e fizeram foi obstruir a passagem e causar empecilhos para que poucas pessoas entrassem. Na tentativa de que todos entrássemos, ficamos na porta da Assembléia durante três horas em negociações até o horário de início da sessão extraordinária. (Lembrando que no dia 8, éramos quase 3 mil pessoas e todos puderam entrar. Nada aconteceu ao prédio nem aos deputados.)
Em uma assembléia estudantil realizada no local, deliberamos que, se nossa entrada não fosse viabilizada até o início da sessão extraordinária, 19h, sairíamos rumo à avenida Pedro Álvares Cabral, para fechar o trânsito e seguir com o protesto, como de costume nas manifestações em frente à Assembléia. (A mesma forma, inclusive, foi utilizada no dia anterior, terça-feira, sem conflito físico algum).
Aproximadamente 400 manifestantes, praticamente todos estudantes, chegaram a tomar a via mais próxima da Pedro Álvares – mas por poucos minutos.
Logo em seguida, os escudos da Força Tática já podiam ser vistos, enfileirados, em nossa direção. Diante da ameaça policial, os estudantes sentaram-se na rua, tentando permanecer no local.
Não demorou muito para que a PM se aproximasse, dispersando o grupo com bombas de efeito moral (cujo efeito físico pôde ser sentido por alguns manifestantes e pelo cinegrafista da Globo, feridos na perna pelos estilhaços) e de gás lacrimogêneo.
Fugindo das bombas, corremos até o cruzamento mais próximo, ao lado do empurra-empurra do Brecheret. Acreditávamos que onde os carros estivessem, as bombas não chegariam. Nesse momento, precisando da “ajuda” dos motoristas, informamos o motivo da manifestação e a ação da polícia.
A correria e as bombas prosseguiram por cerca de uma hora. Em seguida, ante os boatos de prisões sendo realizadas entre os estudantes, a manifestação se dispersou em pequenos grupos que tentariam, por ruas alternativas, retornar ao encontro dos estudantes que permaneceram na Assembléia Legislativa.
No caminho, o helicóptero da polícia passava seu facho de luz, vasculhando as ruas desertas usadas pelos estudantes.
De volta à Alesp, soubemos que alguns grupos foram abordados – com direito a arma apontada para a cabeça - e que mais manifestantes haviam sido presos, totalizando 13, dentre eles Tadeu Breda, aluno do 3º ano de Jornalismo noturno.
Após o encerramento da sessão, foi decidido que hoje (15), às 19h, haverá outra sessão extraordinária. E outras serão marcadas, ainda sem data prevista.
Com tudo o que aconteceu, o que os deputados parecem querer é que a manifestação acabe e que possam manter o veto (já que são necessários votos da bancada governista para sua derrubada).
De qualquer forma, este não é um e-mail de propaganda do Movimento Estudantil. É para que todos saibam a forma como nossos governantes tratam a questão da educação pública. Pense que atacaram com bombas estudantes da USP, Unicamp, Unesp e Fatecs, ou seja, pessoas esclarecidas. Imaginem o que não fazem em protestos da Escola pública de ensino fundamental e médio, ou outros movimentos sociais.
É dispensável falar sobre a falta de verba que nós, alunos, percebemos em cada unidade. Entretanto, sabemos que a USP é privilegiada e, portanto, achamos interessante que todos saibam que na Unesp o fim das aulas foi adiantado para o dia 10 de novembro, devido a falta de verbas para o pagamentos dos professores - que já não receberão o 13°.
Sobre a manifestação de ontem
Boa tarde, pessoal.
Estamos enviando este texto para que todos saibam o que aconteceu ontem durante ação da polícia militar em uma manifestação das universidades estaduais paulistas e centros de ensino técnico.
Como a maioria deve saber, algumas faculdades da USP (e das outras universidades) estão paradas desde o dia 25 de agosto para lutarmos contra o veto do governador ao aumento de 1% no repasse de verba para a educação pública. A saber, os deputados haviam concedido um aumento de repasse de 9,57% para 10% para as universidades públicas e Fatecs; além de aumentar de 30% para 31% a porcentagem do ICMS que vai para a educação pública em geral. No início de agosto, o governador vetou este aumento, tirando 470 milhões de reais do ensino público.
Após diversas manifestações e negociações, conseguimos que os deputados colocassem em pauta o veto do governador (pois eles podem derrubar em votação esta decisão), mas eles não inverteram a lista de pautas, sendo assim nossa reivindicação é o item 191.
Na última terça-feira (13), houve uma reunião entre o Fórum das Seis (que reúne os presidentes das entidades das três universidades), reitores e o colégio da Assembléia Legislativa. Nesta reunião ficou decidida a efetuação de assembléias extraordinárias para a discussão do veto. As discussões podem se estender por 12h (em dias diferentes), ao final delas obrigatoriamente a Assembléia tem de votar.
Ontem (14), às 19h, aconteceu a primeira delas e os estudantes, professores e funcionários da USP, Unesp, Unicamp e Fatecs fizeram uma manifestação saindo do MASP até a Assembléia Legislativa (no Ibirapuera), onde queríamos entrar para acompanhar a sessão (direito de qualquer cidadão).
Desde o princípio, na Avenida Paulista, uma grande quantidade de policiais militares (para não dizer uma quantidade exagerada) acompanhou os cerca de 2000 manifestantes, e já durante a concentração alguns policiais nos avisaram que tinha muito mais polícia nos esperando na Assembléia. Saímos pela Avenida Paulista e descemos a Brigadeiro em passeata pacífica com o cordão da PM isolando.
Ao chegarmos ao Ibirapuera, as rampas da Assembléia estavam repletas de policiais enfileirados, dentre eles a Força Tática (grupo preparado para confrontos) para impedir nossa entrada. Como esta é uma ação ilegal, o que eles podem e fizeram foi obstruir a passagem e causar empecilhos para que poucas pessoas entrassem. Na tentativa de que todos entrássemos, ficamos na porta da Assembléia durante três horas em negociações até o horário de início da sessão extraordinária. (Lembrando que no dia 8, éramos quase 3 mil pessoas e todos puderam entrar. Nada aconteceu ao prédio nem aos deputados.)
Em uma assembléia estudantil realizada no local, deliberamos que, se nossa entrada não fosse viabilizada até o início da sessão extraordinária, 19h, sairíamos rumo à avenida Pedro Álvares Cabral, para fechar o trânsito e seguir com o protesto, como de costume nas manifestações em frente à Assembléia. (A mesma forma, inclusive, foi utilizada no dia anterior, terça-feira, sem conflito físico algum).
Aproximadamente 400 manifestantes, praticamente todos estudantes, chegaram a tomar a via mais próxima da Pedro Álvares – mas por poucos minutos.
Logo em seguida, os escudos da Força Tática já podiam ser vistos, enfileirados, em nossa direção. Diante da ameaça policial, os estudantes sentaram-se na rua, tentando permanecer no local.
Não demorou muito para que a PM se aproximasse, dispersando o grupo com bombas de efeito moral (cujo efeito físico pôde ser sentido por alguns manifestantes e pelo cinegrafista da Globo, feridos na perna pelos estilhaços) e de gás lacrimogêneo.
Fugindo das bombas, corremos até o cruzamento mais próximo, ao lado do empurra-empurra do Brecheret. Acreditávamos que onde os carros estivessem, as bombas não chegariam. Nesse momento, precisando da “ajuda” dos motoristas, informamos o motivo da manifestação e a ação da polícia.
A correria e as bombas prosseguiram por cerca de uma hora. Em seguida, ante os boatos de prisões sendo realizadas entre os estudantes, a manifestação se dispersou em pequenos grupos que tentariam, por ruas alternativas, retornar ao encontro dos estudantes que permaneceram na Assembléia Legislativa.
No caminho, o helicóptero da polícia passava seu facho de luz, vasculhando as ruas desertas usadas pelos estudantes.
De volta à Alesp, soubemos que alguns grupos foram abordados – com direito a arma apontada para a cabeça - e que mais manifestantes haviam sido presos, totalizando 13, dentre eles Tadeu Breda, aluno do 3º ano de Jornalismo noturno.
Após o encerramento da sessão, foi decidido que hoje (15), às 19h, haverá outra sessão extraordinária. E outras serão marcadas, ainda sem data prevista.
Com tudo o que aconteceu, o que os deputados parecem querer é que a manifestação acabe e que possam manter o veto (já que são necessários votos da bancada governista para sua derrubada).
De qualquer forma, este não é um e-mail de propaganda do Movimento Estudantil. É para que todos saibam a forma como nossos governantes tratam a questão da educação pública. Pense que atacaram com bombas estudantes da USP, Unicamp, Unesp e Fatecs, ou seja, pessoas esclarecidas. Imaginem o que não fazem em protestos da Escola pública de ensino fundamental e médio, ou outros movimentos sociais.
É dispensável falar sobre a falta de verba que nós, alunos, percebemos em cada unidade. Entretanto, sabemos que a USP é privilegiada e, portanto, achamos interessante que todos saibam que na Unesp o fim das aulas foi adiantado para o dia 10 de novembro, devido a falta de verbas para o pagamentos dos professores - que já não receberão o 13°.

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